24.1.07

José Luís Peixoto e o mundo Literário

No programa “Escrita em Dia” conduzido por Francisco José Viegas na RDP o entrevistado desta sessão foi o escritor José Luís Peixoto, em cima da mesa está o último livro lançado no mercado pelo mesmo. “Cemitério de Pianos” é considerado por muitos como o livro do ano de 2006. Apesar de ainda ser bastante jovem, tem 32 anos o escritor já editou vários livros e recebeu alguns prémios literários. Quando questionado sobre o que o levou a ser escritor responde que o gosto pela escrita surgiu ainda na adolescência fruto das leituras que realizou. Nessa época sentiu-se atraído para fazer igual ou pelo menos parecido com aquilo que lia. Nota-se aqui influência dos clássicos literários pois marcaram a juventude de Peixoto, provocando desejo que o levou a realizar uma formação superior na área das letras.
José Luís Peixoto, segundo Francisco José Viegas é apontado como o escritor da nova geração de autores portugueses. Peixoto considera que não é dono das construções que faz, que ao escrever não é dono do que podem escrever sobre ele. O autor tem consciência que as suas obras vão ser analisadas pelos críticos literários e que não pode interferir pois é um processo natural no meio literário. Ele apenas considera que a critica se deve centrar no texto que está a analisar e não na pessoa que o escreveu. J.L.Peixoto tem como ambição produzir textos que possa oferecer à interpretação dos seus leitores. Diz-nos ainda que os textos são um objecto fixo e que não podem ser alvo de uma única interpretação devido à sua subjectividade. Cada leitor pode tirar as conclusões que entender de um texto mas, segundo Jacinto Prado Coelho, apenas aquelas que os caminhos do texto nos permite retirar.
Peixoto diz ainda no decorrer da entrevista que está satisfeito com o último livro que escreveu mas busca fazer sempre melhor, um processo natural em qualquer escritor. “Cemitério de Pianos” é uma obra que está relacionada com as anteriormente escritas, o autor coloca sempre um pouco da sua vida nas obras que escreve, recorrendo a experiências da sua vida. Em todos os seus romances Família e Morte são temas sempre presentes. Este novo romance é o que tem mais diálogos de todos os outros já publicados, influência da experiência que J.L. Peixoto está a desenvolver com a escrita de peças de teatro. As personagens falam mais, existindo mesmo dois narradores nesta obra, sendo que cada um vai falando e interpretando a história, segundo palavras do entrevistador.
José Luís Peixoto considera que a escrita é organização e gestão, arranjar fórmulas para aquilo que chega sem fórmulas. Diz, e para finalizar, que um autor é a soma das suas várias experiências.

José Luís Peixoto, o fascinio pelas letras!


O programa da Antena 1 “Escrita em dia”, tem como tema principal de conversa os livros. Foi entrevistado numa destas edições por Francisco José Viegas, o escritor José Luís Peixoto, de 32 anos, que lançou recentemente o seu último romance “Cemitério de Pianos”.
O escritor descobriu o gosto pela leitura na adolescência impulsionado por clássicos que havia lido, mas foi ao ler um poema seu que sentiu uma vontade nunca antes conhecida. Começou a sua “aventura” no mundo da escrita por volta dos 16 anos com publicações no “Diário Jovem”, suplemento do “Diário de Notícias”. José Luís Peixoto, um homem fascinado pelas letras, é um escritor aplaudido pela crítica, considerado a estrela da nova geração de autores portugueses algo que para o mesmo é “supérfluo”. Este é um escritor multifacetado que nunca rejeita um desafio. Tem como ambição criar objectos para quem os queira interpretar sentindo que está a crescer enquanto escritor. Um dos seus desejos é nunca parar de aprender, espera um dia morrer a aprender coisas. O escritor considera não ter tido adolescência, passando directamente da infância para a idade adulta e enumera “Morreste-me”, o seu primeiro livro, como o filtro da sua viragem enquanto escritor. No seu novo romance, “Cemitério de Pianos” aborda bem como nos anteriores, temas como a morte, em particular a sua travessia, a noção de família, nomeadamente a relação pai, filho, acrescentando também o nascimento e um olhar mais naturalista, fugindo um pouco à sua marca já atribuída de escritor fantástico.
José Luís Peixoto, que mostra inserir sempre nos seus livros uma componente auto-biográfica, auto-critica-se, mostrando um olhar sereno e totalmente ponderado em relação às suas próprias obras. O autor de “Morreste-me”, “Nenhum Olhar”, “Uma Casa na Escuridão” e “Antídoto”, ambiciona tornar-se um escritor intemporal, interpretado através dos seus texto quantas vezes a vontade o quiser e pelo pouco que nos é possível opinar, parece óbvio que o irá conseguir.
Fazendo uma avaliação à entrevista a José Luís Peixoto, conduzida por
No que toca à entrevista e ao modo como foi conduzida, penso que tem açguns aspectos que podemos apontar e reflectir. Nomeadamente a forma como iniciaram o diálogo, o apresentador poderia ter falado sobre o entrevistado J.L.P e depois este argumentava os aspectos que estavam correctos, ou os que que tinham alterado, mediante as situações da vida.
Francisco Viegas, poderia ter explurado os aspectos que o fizeram alterar, porque dessa mudança, se a escrita o tinha feito mudar, ou era apenas uma ilusão.
No que toca ao real tema desta conversa, o novo livro "
Cemitério de Pianos", penso que se poderia ter explorado melhor o tema.
Ao ouvir a entrevista não fiquei esclarecida nem motivada para ler o livro. Poderíam ter explorado melhor este tema para cativar os leitores, falando das personagens que giram à volta da história.
Ouve muita divagação no tema do livro, que neste caso deveria ter sido o tema fundamental da conversa, mas que não foi, o autor do livro divagou muito sobre a sua vida.
A qualidade da entrevista poderia ter sido sem dúvida melhor, valorizando sim o novo livro, para convencer os leitores em geral , que de facto esdte livro é uma boa obra, merecedora de atenção.
pergunto-me se esta entrevista teve o impacto que realmente era necessário, para cativar os leitores a comprar o livro.

21.1.07

Antonio Lobo Antunes

António Lobo Antunes, conhecido do grande público pelo seu percurso como escritos Português (juntamente com José Saramago) é sobretudo um escritor versátil, licenciado em medicina, com especialização em psiquiatria.
Este considera que um bom livro é “um livro escrito sobre mim”, conforme afirma numa entrevista dada a rádio TSF.
Os livros são cada vez mais biográficos e afirma apreciar a sua vida privada,” as pessoas tem o direito aos livros e não à sua vida”. Um escritor que dá grande importância aos valores morais como a “bondade”, “generosidade”,” tem cada vez mais uma consciência cruel dos seus defeitos enquanto homem”.
“Eu não sou o escritor dos meus livros”: é um sopro uma força que o faz escrever, “tudo acaba por ser muito importante para mim”, decerto modo todas as coisas o marcam, vindo mais tarde a sua memoria dando-lhe uma inspiração para escrever.
Os livros que escreveu recentemente são muito superiores àqueles que escreveu em tempos, no entanto, todos os livros que escreveu são muito importantes pois permitiram-lhe uma aprendizagem, considera que só devia ter publicado a partir do décimo segundo “Esplendor de Portugal”.
Quando entrega um livro numa editora “esquece-se dele”, ou por outras palavras abandona-o para poder começar outro.
Os livros estão sempre carregados de “coisa inúteis”, “más”,”redundâncias”, defende que a primeira versão do livro já contém o livro todo, depois aquilo que tem de fazer são “limpezas”.
Tem uma sensação de estranheza, não só com a sua imagem, quando se depara com as suas fotos nos livros anteriores, mas também com o “eu” confessa parecer “outra pessoa”.
Na minha opinião, este grande autor tem espírito de missionário, “tenho sempre medo horrível que não consiga acabar o livro” , querendo transmitir-nos através da escrita a sua experiência de vida, os seus pensamentos mais íntimos, a sua sabedoria.
Vive muito para o trabalho, para os livros, para a escrita, “nunca fui muito sociável”.
Talvez por a imaturidade que tinha em tempos Lobo Antunes admite ter sido injusto ao criticar Vasco Graça Moura, que considera hoje um dos melhores poetas da literatura portuguesa.
Com o passar do tempo deixou de ter uma visão egocêntrica do mundo, e inevitavelmente tornando-se humilde “…devido aquilo que sonhou e aquilo que conseguiu”.
Confessa que a literatura tem que ser apresentada de uma forma divertida ”Um grande livro tem sempre de ter humor”.

Entrevista a José Luís Peixoto

“Escrita em dia” é um programa da Antena 1 conduzida por Francisco José Viegas.
O convidado de um destes programa foi José Luís Peixoto, um alentejano de 32 anos que tem uma paixão pela escrita. Esta paixão surgiu na sua adolescência, fruto das suas leituras. Conta que um dia sentiu-se atraído a tentar fazer algo que fosse parecido como nos outros livros, que tivesse a ver consigo e também com o meio que o rodeava. Surpreendeu-se então com um poema que nunca tinha imaginado como tal.
Pelo seu grande fascínio pela literatura e pelas letras tirou um curso de literatura na Faculdade de Letras de Lisboa. Os anos passados na grande cidade foram para ele importantes, tanto a nível literário bem como a nível humano. Conheceu muitos amigos, e participou em ocasiões que nunca irá esquecer.
José Luís Peixoto diz que "queria objectos que possam oferecer-se a interpretar a quem desejar interpretá-los, essa interpretação não é minha “, os meus textos são objectos fixos e com toda a sua subjectividade nunca um texto é alvo de uma só interpretação, mas sim quando tem várias interpretações é uma mostra do rigor e da riqueza dos próprios textos e da pessoa.
O autor sente-se satisfeito com o lançamento do último livro, em que no início tomou algumas direcções menos interessantes na construção do mesmo, pois escreveu e depois substituiu a sua construção por outra construção. O autor diz que a única coisa que se arrepende é não ter tempo para dar atenção merecida aos vários projectos em que se envolve, no entanto participar em vários projectos não é prejudicial ao contrário o preenche. No entanto, para dar uma completa atenção aos projectos ele diz que passa por ser mais organizado ainda.
O autor diz que trabalha por obsessão, e com uma disciplina de não marcar horários. Quando começa num trabalho/projecto só para quando terminar. Escreve obsessivamente e só para de escrever quando termina de escrever. Este seu último livro é um romance, que levou muito tempo a ser construído.
José Luís Peixoto diz que o que o preocupa é ”chegar ao tempo de não ter nada para dizer, chegar ao momento em que disse tudo o que tinha para dizer ou tudo aquilo que era fundamental que dissesse”
Este seu último romance tem raízes directas no primeiro livro que escreveu aos 16 anos; foi como se começasse a escrever outra vez. Neste último livro a noção de família esta presente em todos os textos e também a morte, em que não tem necessidade de falar do novo mas fala sobretudo da morte.
Neste seu último romance, Cemitério de Pianos, tem passagens comoventes que antecedem a narração, há uma serenidade das coisas que morrem, após uma morte simultânea há um nascimento. No seu livro Morreste-me, publicado em 2002, cada frase foi bastante violentamente arrancada por ele. O escritor encontra formas para dizer aquilo que nos chega sem fórmulas, a morte.
Cemitério de Pianos é um livro mais naturalista, há poucos elementos do maravilhoso, que sejam directamente dessa área.
O escritor diz que sem esforço de existir uma conciliação, ele próprio torna-se num romance, tudo aquilo que ele tem, como em todas as outras áreas da escrita. Ele próprio torna-se uma soma dessas suas experiências.
A sua participação na escrita de teatro ajudou-o de uma certa forma a escrever nos outros géneros, inclusive neste seu último romance as personagens falam mais.
Já no fim da entrevista, José Luís Peixoto diz que gosta que o convidem para recitar a sua poesia, ele gosta de ler em público aquilo que escreve e de encontrar pessoas que fazem o mesmo.

Entrevista a José Luís Peixoto

Entrevista conduzida por Carlos Vaz Marques (RDP, "Escrita em Dia", 30 de Novembro de 2006), respeito à nova obra literária Cemitério de Pianos.
O autor revela-se um homem fascinado pelas letras, possuidor do dom da escrita. Desde muito jovem que encontrou na escrita a forma de se exprimir, de dar forma ao que não tem forma, de se relacionar com o meio que o rodeia e consigo próprio, sendo a Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas apenas uma consequência de sua paixão. O autor afirma que o seu novo romance tem raízes no que escreveu anteriormente, nomeadamente do seu primeiro livro Morreste-me.
Após pausa na entrevista, o mediador faz uma breve introdução bibliográfica do autor e regressando ás raízes inspiradoras afirma que neste último romance existe uma componente auto-bibliográfica muito forte, na qual o autor confirma referindo a família. Reforçando esse sentimento Francisco José Viegas apelida-o de obsessão, esclarecendo tanto morte como família encontram-se sempre presentes nos textos do autor, o qual confirma e sem se sentir pressionado apresenta-se reticente quanto à presença desses valores em textos futuros.
Nesta altura da entrevista o mediador lê excertos do livro, um excerto do fim do primeiro capitulo, onde é-nos desvendado uma acção no hospital, em que uma personagem descansa de forma serena, com uma felicidade de algo milagroso que se passará e a dada altura o narrador afirma ter morrido, seguidamente o mediador recita a primeira frase do romance - "Quando comecei a ficar doente soube logo que ia morrer" -, afirmando tratar-se de uma cena muito comovente recita outro excerto, este retratando a última tarde em que a personagem esteve viva, a visita da família ao hospital, onde sentimentos de tristeza estão presentes e realça a serenidade passada pelo autor pelas coisas que morrem neste romance. O autor questionado de como se chega e se transmite tamanha serenidade, explica o atenuar da morte com a simultaneidade de um nascimento, sendo esta uma serenidade única, que não sentiu em qualquer outro livro por si redigido mesmo após comparado com Morreste-me, livro que embora transpareça serenidade, para o autor escreve-lo revelou-se muito sofrido, arrancado de si do seu interior.
O rumo seguido pelo autor, segue um percurso por si "vivido", de dar formas aos sentimentos, emoções e organizá-los, fez com que se familiarizar-se com certos temas, como a morte, que hoje aceita de uma forma mais serena.
Na altura em que "nasceu o menino do Francisco", esta obra passa por uma reestruturação, o autor após reler os seus textos, utiliza outro tipo de escrita, narração entrecortada, em que cada parágrafo pertence a uma das personagens, pai e filho.
O título do livro, um lugar de liberdade, naturalismo, a imagem de um paraíso, um depósito de instrumentos musicais em termo de vida, o refugio de um grupo de pessoas, este sentimento forte que o Cemitério de Pianos lhe transmite permitiu que encaixa-se no romance.
Para além da prosa, aquilo que se vê a fazer, deseja escrever, realiza experimentações em outras áreas, como no teatro e na musica, que são mais valias experimentais. Fá-lo despertar para outras formas de escrita literária que transporta para o romance, como no caso do teatro com mais diálogo e mais comprido.
Ao ler excertos de um romance e / ou poemas fá-los sentir de forma igual e, no entanto, correspondem a formas de escrita bastante distintas. Para o autor, o convívio com escritores, o recitar seus poemas e prosas dão-lhe imenso prazer.
A entrevista transparece a harmonia entre o autor, José Luís Peixoto, as letras e os sentimentos por si vividos e criados tanto na satisfação da realização de mais uma obra de Literatura Portuguesa como na sua inserção no meio que o envolve.

20.1.07

Na Rádio com... José Luís Peixoto

José Luís Peixoto mostra-nos nesta entrevista conduzida por Francisco José Viegas (RDP, programa “Escrita em Dia”, no dia 30 de Novembro de 2006) o que está para além das suas obras. Partilha com todos os que o ouvem partes da sua vida e até da sua alma.
Este alentejano de 32 anos caminhou, desde a sua adolescência, pelos trilhos da escrita e, passo a passo, foi consolidando um estilo próprio que lhe valeu o título de “estrela da nova geração de autores portugueses” e vários prémios literários.
Este jovem escritor mostra, pelo seu percurso, uma polivalência literária fora do vulgar, tendo obra nas mais variadas vertentes da escrita, desde a poesia, passando pelo romance e teatro, até às letras de música.
O autor explica a Francisco José Viegas que se sente satisfeito com o que escreve, mas que pensa que poderá sempre fazer melhor.
A humildade de José Luís Peixoto é também confirmada quando ele afirma que não se sente dono daquilo que escreve e que cada texto pode e deve ser interpretado por quem o lê, dando assim um pouco da riqueza pessoal de cada leitor a cada leitura.
Vê-se como um escritor obsessivo apesar de não cumprir horários e de se considerar indisciplinado.
No caso da sua última publicação, o autor admite ter levado algum tempo na sua escrita, tendo mesmo alterado a estrutura desta obra, até chegar à forma que nos apresenta. Admite estar muito satisfeito com este seu “Cemitério de Pianos”. Este livro, considerado um dos livros do ano de 2006, transparece tal como toda a obra de José Luís Peixoto, uma carga autobiográfica muito acentuada, voltando, mais uma vez, aos temas da morte e da família.
Mas o autor vê este livro como um texto mais naturalista, em comparação com o peso que o fantástico/mágico tem em toda a sua restante obra. A própria estrutura formal da história é diferente, acentando quase toda, no diálogo feito entre pai e filho, alternando a fala de cada personagem por parágrafos.
José Luís Peixoto vê neste livro uma ligação entre a morte e nascimento, mais do que apenas morte, como afirmava a Francisco José Viegas, nesta entrevista.
A ideia para esta história surgiu-lhe no dia em que lhe falaram de um cemitério de pianos, no conservatório de música de Lisboa. Esta sala tornou-se num ponto de encontro para os alunos do conservatório, tal como no seu livro, era um ponto de encontro e vivências dos seus personagens.
José Luís Peixoto gosta de levar às pessoas aquilo que escreve, e isso nota-se na maneira apaixonada e ao mesmo tempo humilde como fala da sua obra literária, nesta entrevista.

“Tenho medo de chegar ao ponto de não ter nada para dizer…”
O seu percurso e a sua obra levam a crer o contrário!

16.1.07

Entrevista a José Luís Peixoto

"Escrita em dia" é um programa da “Antena 1” conduzida por Francisco José Viegas.
É um programa dado “à conversa à volta dos livros, com os seus autores”, que dá oportunidade de divulgação de muitos trabalhos que se fazem no nosso país e que muitas vezes passam despercebidos do grande público.
Apresentando uma pluralidade e uma multiplicidade de intervenção, quer na poesia, no teatro, na música e no romance, José Luís Peixoto, acaba de publicar mais um romance Cemitérios de Pianos.
Ao longo da entrevista é-nos dada a oportunidade de além de conhecermos melhor a obra e o autor, conhecermos ainda, todo o seu percurso de escrita, o que, a meu ver é de extrema importância, como forma de incentivo a novos autores, com percursos semelhantes.
José Luís Peixoto, começou a escrever aos 16 anos. O seu gosto pela literatura impeliu-o a sair da sua terra e ir estudar para Lisboa.
Actualmente com 32 anos apresenta já algumas obras publicadas, Morreste-me, Nenhum Olhar, Uma Casa na Escuridão, Antídoto, e recentemente Cemitério de Pianos. Para além destas obras de ficção, tem ainda poesia com A Criança em Ruínas e A Casa na Escuridão. José Luís Peixoto escreve ainda letras de canções e peças de teatro. Sendo o romance, a poesia, e a escrita em prosa o que lhe surge com mais naturalidade.
Este novo romance trata do tema da família, que tal como a morte, é uma obsessão para José Luís Peixoto. É um romance que apresenta passagens comoventes que antecedem o começo da narração. Apresenta uma grande serenidade diante da morte, “a serenidade das coisas que morrem”, também pelo facto de ser uma morte simultânea a um nascimento. Existindo uma perfeita ligação entre aquilo que nasce e aquilo que morre.
Para José Luís Peixoto a escrita é organização, é gestão. A sua ambição quanto aos textos, é criar objectos que possam oferecer-se à interpretação de quem quiser interpretá-los. Os textos com toda a sua subjectividade nunca poderão ser algo de uma única interpretação.
José Luís Peixoto “gosta muito de ler em público o que escreve e aquilo que faz e de encontrar outras pessoas que fazem o mesmo”.
Têm recebido prémios na área da literatura e as suas obras estão representadas pelo mundo inteiro.
É importante que se evidencie os nossos autores, que muitas vezes são conhecidos no estrangeiro passando despercebidos no nosso país.

14.1.07

Entrevista a António Lobo Antunes

A entrevista conduzida por Carlos Vaz Marques, na TSF, no respectivo dia 15 de Novembro de 2006, mostra-nos o percurso de um escritor romancista proveniente de uma família da grande burguesia portuguesa. É ele António Lobo Antunes.
Sendo um homem que sempre preferiu que gostassem mais de si do que dos seus livros, começou por utilizar o material psíquico que tinha marcado toda uma geração: os enredos das crises conjugais, as contradições revolucionárias de uma burguesia empolgada ou agredida pelo 25 de Abril, os traumas profundos da guerra colonial e o regresso dos colonizadores à pátria primitiva. Isto permitiu-lhe de imediato, obter um reconhecimento junto dos leitores, que, no entanto, não foi suficientemente acompanhado pelo lado da crítica
Proclama-se como um homem comum e cheio de defeitos mas mesmo assim tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, vendidos e traduzidos em todo o mundo. Pouco a pouco a sua escrita concentrou-se, adensou-se, ganhou espessura e eficácia narrativa.
A segurança que cada vez mais sente em relação à sua escrita é lhe conferida através do trabalho e da perspectiva do trabalho passado. Um dos seus maiores medos é não conseguir romper com a forma que ele próprio criou. Note-se que em termos temáticos, a sua obra aborda lugares nunca pacíficos, marcados pela perda e morte dos mitos, afectos do passado e pelos desencontros, incompatibilidades e divórcios nas relações do presente, numa espécie de deserto cercado de gente que se estende à volta das personagens.
Não se sente autor dos seus livros. É como se estes lhe fossem ditados ou soprados ao ouvido como uma leve brisa de ar. Este é um facto curioso de constatar e ao mesmo tempo brilhante.
Quando começou, antes de publicar, com cerca de 7/8/9 anos, confidencia em tom de brincadeira, que inconscientemente fazia “plágios descarados de toda a gente”. Mas mesmo assim, e com tenra idade, já se considerava como escritor e sabia que era aquilo que queria fazer para o resto da vida. Assume o enorme respeito que tem pelos livros e a incapacidade de jogar fora qualquer tipo deste. Efectuar qualquer tipo de leitura confere-lhe um prazer imenso enquanto que a escrita faz com que sinta uma mistura de sentimentos. Ele próprio sente que vai deixar uma marca na literatura.
Autor de Ontem não te vi em Babilónia, assume que anteriormente foi completamente injusto numa fase em que queria fazer valer a sua escrita uma vez que considerava trazer algo de novo.
A sua obra prosseguiu numa contínua renovação linguística, tendo os seus últimos romances (Exortação aos Crocodilos, Não entres tão depressa nessa noite escura, Que farei quando tudo arde?, Boa tarde ás coisas aqui em baixo), bem recebidas pela crítica, marcado definitivamente a ficção portuguesa dos últimos anos.
Para muitos António Lobo Antunes é o escritor do humano. É o mistério que não atingimos…

11.1.07

"O Homem Objectivado"

“Queria objectivar-me a mim mesmo. Ver-me a mim mesmo na circunstância e não fazer literatura à volta disso, mas contar os factos”.
José Saramago posiciona-se assim, distante e despojado, perante o seu novo livro As Pequenas Memórias, em entrevista ao programa Pessoal e Transmissível, da TSF, no dia 16 de Novembro de 2006.
São “as memórias pequenas”, como lhe chama, que reportam à infância do autor na aldeia de Azinhaga (Ribatejo) e posteriormente em Lisboa, até à idade dos 13, 14 anos. A idade em que se constroem e cimentam as identidades. Uma infância que decorrendo em finais dos anos 20 e anos 30, nos traz à memória as histórias de meninos descalços e reguilas contadas também pelos nossos avós da província ou a imagética criada pelos filmes da época de ouro do cinema português. Contudo, realista, o autor duvida das infâncias felizes pois há momentos em todos nós que dificilmente encaixariam na definição de felicidade. O que há são apontamentos felizes.
Perpassa pela entrevista a doçura com que fala dos avós analfabetos (como fez questão de referir no discurso de aceitação na Academia Sueca a propósito da atribuição do Nobel) e algum constrangimento quando os pais estão em foco. Talvez pela violência (doméstica e privada) que associa ao pai e a secura maternal, causada pelo desaparecimento prematuro do irmão, que lhe definiu o carácter posterior (facto que refere em entrevista ao JL, de 8 de Novembro 2006).
Do alto dos seus majestáticos 84 anos, Saramago pode arrogar-se de que nada é passível de ser apagado da memória, embora existam coisas que possam ficar guardadas numa “cápsula de silêncio ou de segredo”. Dessas nunca rezará a história pois “nunca ninguém confessou exactamente algo de que se envergonhasse”. E ele tem pouco com que se envergonhar, pelo menos naqueles dias de infância. Teve algumas hesitações quanto à inclusão de certas situações, mas foram hesitações breves. Por isso, não há aqui remorsos pendentes. Nem ao descobrir que uma certa prima que refere no livro ainda estava viva.
A gaguez em criança ditou-lhe um temperamento reservado e contemplativo, comportamento que o Nobel português justifica ser a causa dos atributos que comummente lhe destinam, como antipatia, cara fechada, orgulho ou vaidade. Veementemente refuta estas características, principalmente a do orgulho associado à vaidade, relativizando, neste processo, até o prémio Nobel, no que se assemelha mais a um exercício de falsa modéstia, do que intenção verdadeira para provar o seu ponto de vista. “Tenho prémio Nobel. Sim! E quê?”, interroga-se no aeroporto de Frankfurt ao saber da notícia da sua atribuição. Se há razões para que o orgulho nos expluda no peito esta era mais que justificada, seguramente. Condescende e refere que realmente este prémio mudou a sua vida, mas que continua a ser a mesma pessoa e “sobre isso não admito debate nem discussão!”, reitera.
Há dois momentos da sua infância que Saramago retira do livro, com o sentimento de quem está a saborear um acepipe há muito esquecido: o prazer (jamais inigualável) que sentiu ao ter sido considerado o melhor aluno da classe e ascendido ao “lugar do monarca” e o da estrondosa queda, durante o peditório para o Santo António, que lhe provocou dores físicas e feridas profundas no orgulho.
Se o Saramago ficcionista retocou a forma, foi o Saramago memorialístico - o da memória, sempre a memória -, que fez de repositório deste pequeno livro, amadurecido ao longo de anos:
“Senti dentro de mim, se bem me recordo, se não estou a inventar agora, que tinha, finalmente, acabado de nascer.”
E assim começa a jornada do Zézito, aquele que não tinha culpa do diminutivo e que muito pior teria sido se o nome fosse Manuel e o tratassem por Nelinho.
(as hiperligações foram acrescentadas)

António Lobo Antunes entrevistado por Carlos Vaz Marques

A audição desta entrevista proporciona momentos de grande prazer. Ouvir António Lobo Antunes falar é como se estivéssemos a ler páginas de um livro. A utilização frequente de comparações, metáforas e imagens tornam o seu discurso agradável.
Na entrevista António Lobo Antunes fala da sua vida enquanto escritor e da evolução que sofreu. Começou a escrever, segundo o próprio, com cerca de oito anos, encarando, já nesta idade, a escrita com muita seriedade. Certo dia, ao ir para casa no autocarro, deu por si a pensar “Eu sou escritor! Quero escrever! Não quero fazer mais nada na vida!”. A partir daqui jamais parou e hoje, com sessenta e quatro anos, ainda escreve. No entanto, considera que só devia ter começado a publicar a partir do seu décimo segundo título O esplendor de Portugal. Apesar de não renegar os seus outros onze títulos, pois foram necessários para a sua aprendizagem, sente-se cada vez mais seguro daquilo que escreve e considera os últimos livros muito superiores aos iniciais.
António Lobo Antunes revela um lado místico em si. Fala frequentemente que lhe “sopram os livros ao ouvido”, que “a sua mão é guiada por uma entidade invisível”.
É um homem que se surpreende com facilidade, aceita a crítica e que o corrijam, mas não entende, fica até mesmo surpreso quando caracterizam a sua escrita de difícil, impenetrável, pois para ele, é muito clara, obvia.
Contudo, admite que também já lhe aconteceu o mesmo com outros autores, e o que faz é ler, sem tentar entender, porque de repente tudo se ilumina.
Embora passe muito tempo a escrever não associa a escrita a um prazer. Tem prazer sim, na leitura. Lê com prazer, com paixão “Descobrir um bom livro é uma maravilha!”, e à pergunta “O que é para si um bom livro?” responde simplesmente “É um livro que foi escrito só para mim.”.
Quanto à escrita, sente-se cada vez mais seguro mas volta a evocar o medo, o medo de ficar preso aos seus próprios processos, de não ter capacidade de romper com a forma que lhe deu tanto trabalho a alcançar. Todavia, julga não conseguir manter este nível durante muito mais tempo. Assim, planeia escrever apenas mais dois ou três livros e, utilizando prudência e bom senso, interromper o caminho que está a percorrer.
“Não faz sentido viver sem escrever”, mas continuar a escrever livros a este nível está seguro que não consegue fazer durante mais tempo. Está certo que não quer que se passe com ele, o que se passou com outros grandes escritores que admira. Gostaria de ter sentido autocrítico suficiente para ver que os seus livros não são aquilo que esperava deles porque já não é capaz de os fazer.
Apesar de considerar que atingiu um nível de escrita que considera muito bom, diz ”Os meus livros são melhores do que eu!”. Ao proferir tal afirmação, justifica-se dizendo que a sua escrita é tão trabalhada, tão corrigida, pelo seu editor, que os livros acabam por ser melhor escritos do que aquilo que escreve usualmente. Espera que os seus livros tenham mais mérito que ele próprio.
O autor considera-se um homem comum, cheio de defeitos e com consciência de que os possui, embora considere que cresceu com o tempo. Quando começou a escrever era “ingenuamente seguro”, injusto, agressivo, cruel. Desrespeitou pessoas importantes, e atacou quem hoje considera um dos maiores poetas vivos, Vasco Graça Moura. Está chocado consigo, e com o que escreveu, nessa altura sobre o autor.
Hoje em dia é humilde, erra e pede desculpa. Considera que já que se sofre tanto na vida que não precisamos da ajuda de outrem para sofrer mais. Entende sem julgar. Gostava de ser mais generoso, mais disponível, e de ter uma bondade que não tem as vezes, uma vez que considera esta ultima qualidade, aliada ao carácter, mais importantes que a inteligência.
António Lobo Antunes é muito crítico em relação a si próprio, algo que foi mudando ao longo da vida, tal como já foi anteriormente referido.
Durante o seu crescimento deixou de ter uma visão heliocêntrica do mundo, do qual ele próprio era o centro, e percebeu que não era mais que ninguém.
A humildade, característica muito vincada no autor, atingiu-a quando se apercebeu da distância que existe entre aquilo que sonhou e aquilo que conseguiu.
Sente que vai deixar uma marca na literatura. Todavia, sente também que podia ter feito melhor e que podia ter ido mais longe.
Homem que se ri de si próprio, das suas fraquezas, inabilidades e patetices.
É assim, António Lobo Antunes, escritor de obras como Ontem não te vi em Babilónia, Os cus de Judas, Terceiro livro de crónicas, Boa tarde às Coisas aqui em Baixo.

10.1.07

Ouvi no outro dia...


Num certo programa de rádio ouvi no outro dia, no dia 15 de Novembro de 2006 na TSF, uma entrevista que me intrigou. Era sobre o escritor António Lobo Antunes. Um escritor cuja carreira já vai na sua 12ª obra, sendo o último "Ontem não te vi em Babilónia".
António Lobo Antunes, considerado por muitos como um fenómeno da literatura a par de José Saramago e um candidato a prémio Nobel da Literatura, já com 64 anos, não se sente velho e evita os seus "cruéis espelhos". Um escritor que se auto retrata como um simples homem com as suas virtudes e defeitos. Muitas vezes referindo até as suas mágoas passadas, como bom português.
António Lobo Antunes não se deixa intimidar pela sua escrita passada, pois foi "o outro"António que a escreveu. O facto de afirmar, não se lembrar do que já escreveu e o de já não se identificar com essa escrita, é como se o escritor se quisesse desprender totalmente da sua vida passada, incluindo o começo da sua grande paixão, a escrita (com 7/8 anos foi num autocarro que começou a escrever e decidiu desde aí que era o queria fazer para o resto da sua vida).
É num sentido evolutivo e de construção que lhe confere a segurança para continuar a escrever, pois que o trabalho dá-lhe essa segurança. Mas como pode ele não se lembrar das outras, as obras que o viciaram a seguir uma vida de letras e de palavras. Não consigo compreender como pode um autor "renegar" uma obra, escrita por si, que lhe causou emoções, que lhe marcou momentos de alegria, tristeza, amor, não sei. Talvez devido à sua experiência na guerra que o inspirou a escrever nessa altura, muitos deles referindo a época do fim do Estado Novo até à Democracia, o fim da Guerra Colonial, a instabilidade política vivida após o 25 de Abril. Creio que o facto de naquela altura nem tudo poder ser escrito nem publicado acabou por limitar muito a sua escrita e dado agora termos alcançado a liberdade de expressão leva-o a poder escrever com total liberdade mais do seu agrado.
Toda a sua vida pensou que tinha criado algo novo e achava-se o "centro", o melhor e o único, mas o tempo, a vida e a sua própria escrita o fizeram entender que assim não o era. O mundo não precisa de mais inveja, estupidez, ignorância nem falta de intolerância. Com o tempo tudo se entende, tudo se compreende e tudo se alcança.
Resta-lhe então agarrar-se à sua paixão, ler, ler, e ler e escrever, tentar então escrever qualquer coisa nova que preencha o vazio. Resta-lhe lembrar os amigos (Jorge Amado, Manuel de Fonseca, Vasco Graça Moura) e puxar do poço as palavras de que tanto necessita, resta-lhe perder o medo de ficar preso nos seus próprios pensamentos.
De consciência cruel, ser polémico, orgulhoso e arrogante passa para um ser de consciência pura, de sinceridade e de humildade, como diz o próprio "a bondade nasce connosco" "mas é bom encontrar pessoas melhores do que nós".
Pois que os seus livros são melhores que ele; pois que gosta mais dos seus livros do que dele próprio. Apenas diz "os meus livros são melhores que eu" porque os corrige tanto que acabam por sair melhor do que esperava.
Afirma que escreve melhor agora do que quando começou e que isso não vai durar, mas apesar de tudo o escritor sente-se em paz com a literatura.
Algumas das suas obras como "A Explicação dos Pássaros", "Exportação aos Crocodilos" a sua mais recente "Ontem não te vi em Babilónia" e "O meu nome é Legião" à espera de ser publicado, são consideradas por muitos boa literatura.
(As hiperligações foram acrescentadas)

António Lobo Antunes





Ouvir António Lobo Antunes, é sempre um prazer.

A temática desta entrevista gira à volta, sobretudo, do posicionamento de António Lobo Antunes perante si e perante os outros e, também, trata do processo criativo do autor. Mostra-nos o percurso de um escritor romancista proveniente de uma família da grande burguesia portuguesa.
O autor reconhece que no início da sua carreira foi precipitado e teceu algumas críticas injustas que mais tarde reconheceu e pediu desculpas publicamente. Portanto, relativamente a esta faceta o seu carácter terá amadurecido e admite entender melhor as pessoas sem as julgar. Deixou de ter uma concepção egocêntrica do mundo, tornou-se humilde. Um dia, ao ir para casa no autocarro, pensou que queria ser escritor, e não fazer mais nada da sua vida. A partir desse dia jamais parou e hoje, com sessenta e quatro anos, ainda escreve.
O escritor sente que vai deixar uma marca na Literatura Portuguesa Contemporânea.
António Lobo Antunes, é escritor de obras como Ontem não te vi em Babilónia, Os cus de Judas, Terceiro livro de crónicas, Boa tarde às Coisas aqui em Baixo.
Um dos seus maiores prazeres é efectuar qualquer tipo de leitura. Isso confere-lhe um prazer imenso enquanto que a escrita faz com que sinta uma mistura de sentimentos.
O escritor tenta manter a sua vida privada hermeticamente fechada aos olhos do público, perante o qual mantém uma relação de honestidade, embora admita que os seus livros retratam cada vez mais a sua vida. Como o homem que é, assim se mostra aos olhos dos leitores. Reconhece os seus defeitos e admite que gostava de ser mais bondoso, qualidade que admira mais do que a inteligência. Mantém uma relação de estranheza com a sua cara e com a sua idade, pois sente-se jovem e não reconhece aquele velho que o olha através do espelho. A idade e o tempo podem ser demolidores em termos físicos, mas não em termos de criação, de construção da obra.
A idade trouxe-lhe segurança, porquanto considera os seus últimos trabalhos muito melhores que o primeiro, embora ainda tenha medo de ficar preso aos seus próprios processos criativos e de não conseguir ser capaz de romper essa teia. Afirma, ainda, temer não conseguir manter o seu nível literário por muito mais tempo. O autor tem consciência da sua finitude, a musa inspiradora pode deixar de lhe soprar ao ouvido. Para o escritor a inspiração não se prevê, acontece sem aviso prévio. O escritor, planeia escrever apenas mais dois ou três livros, utilizando prudência e bom senso.
António Lobo Antunes é um autor complexo e, segundo muitos leitores, é difícil embrenharmo-nos na sua escrita metafórica. Porém, ao leitor mais distraído deve ser lembrado que este senhor é um dos grandes nomes da literatura portuguesa, situando-se ao mesmo nível de José Saramago. António Lobo Antunes é um escritor bastante conceituado, prova disso são os mais diversos prémios que conquistou, tal como o Prémio Franco-Português em 1987 pela obra Cus de Judas, ou o prémio instituído pela embaixada de França em Lisboa, no valor de duzentos mil escudos e atribuído a obras traduzidas para a língua francesa nos últimos cinco anos.
Sem dúvida António Lobo Antunes é um potencial candidato, a um Premio Nobel.