José Luís Peixoto e o mundo Literário

José Luís Peixoto, segundo Francisco José Viegas é apontado como o escritor da nova geração de autores portugueses. Peixoto considera que não é dono das construções que faz, que ao escrever não é dono do que podem escrever sobre ele. O autor tem consciência que as suas obras vão ser analisadas pelos críticos literários e que não pode interferir pois é um processo natural no meio literário. Ele apenas considera que a critica se deve centrar no texto que está a analisar e não na pessoa que o escreveu. J.L.Peixoto tem como ambição produzir textos que possa oferecer à interpretação dos seus leitores. Diz-nos ainda que os textos são um objecto fixo e que não podem ser alvo de uma única interpretação devido à sua subjectividade. Cada leitor pode tirar as conclusões que entender de um texto mas, segundo Jacinto Prado Coelho, apenas aquelas que os caminhos do texto nos permite retirar.
Peixoto diz ainda no decorrer da entrevista que está satisfeito com o último livro que escreveu mas busca fazer sempre melhor, um processo natural em qualquer escritor. “Cemitério de Pianos” é uma obra que está relacionada com as anteriormente escritas, o autor coloca sempre um pouco da sua vida nas obras que escreve, recorrendo a experiências da sua vida. Em todos os seus romances Família e Morte são temas sempre presentes. Este novo romance é o que tem mais diálogos de todos os outros já publicados, influência da experiência que J.L. Peixoto está a desenvolver com a escrita de peças de teatro. As personagens falam mais, existindo mesmo dois narradores nesta obra, sendo que cada um vai falando e interpretando a história, segundo palavras do entrevistador.
José Luís Peixoto considera que a escrita é organização e gestão, arranjar fórmulas para aquilo que chega sem fórmulas. Diz, e para finalizar, que um autor é a soma das suas várias experiências.